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Laudo para saque do FGTS por autismo: o que o médico precisa escrever

Laudo para saque do FGTS por autismo: o que o médico precisa escrever

Atualizado em 14/10/2026

Resposta rápida: o laudo para o saque do FGTS por autismo depende do caminho. Se o dependente é criança ou adolescente com autismo nível 3 (grau severo), o pedido pode ser feito direto na Caixa, pelo aplicativo FGTS, com o formulário “Relatório Médico de Doenças Graves para Solicitação de Saque do FGTS”, e passa pela perícia médica federal. O pedido pode ser feito, mas pode ou não dar certo: mesmo no nível 3, a Caixa tem negado quando a pessoa é optante do saque-aniversário, quando fez a antecipação do saque-aniversário ou quando a perícia é contrária. Nesses casos, o caminho é a Justiça. Nos níveis 1 e 2, e quando o autista é adulto, o saque é obtido, em regra, na Justiça, e o laudo precisa mostrar o diagnóstico com a CID, o nível de suporte, as terapias com a frequência semanal, o tempo de tratamento e a urgência. Relatórios dos terapeutas e orçamento das terapias fortalecem o pedido.

Muitos pais procuram o saque do FGTS porque o tratamento do filho autista custa caro, e nem sempre o plano de saúde ou o SUS dão conta. A Caixa incluiu na sua lista de doenças graves o autismo nível 3, só para dependente criança ou adolescente, mas esse pedido pode ou não dar certo: mesmo nesses casos há negativas por opção pelo saque-aniversário, por antecipação (alienação) do saque-aniversário ou por perícia contrária. Nos outros casos, a Justiça tem autorizado o saque quando a família comprova a necessidade do tratamento.

Este artigo trata só do laudo e dos relatórios. Os requisitos gerais, a diferença entre o pedido na Caixa e a ação na Justiça e o passo a passo completo estão no guia sobre o saque do FGTS para pais de autistas.

Quem pode usar o laudo para pedir o saque

  • Pela Caixa: pai, mãe ou responsável com saldo no FGTS, se o dependente é criança ou adolescente com autismo nível 3 (o pedido pode ou não ser aprovado; se for negado, o caminho é a Justiça);
  • Pela Justiça: pai, mãe ou responsável de dependente nível 1 ou 2, ou de autista adulto;
  • Pela Justiça: a própria pessoa autista que tem saldo no FGTS.

O que diz a lei

  • Lei 8.036/1990, art. 20: lista as situações de saque do FGTS, entre elas doenças graves do trabalhador ou do dependente. O autismo não está no texto da lei.
  • Lista da Caixa de doenças graves: inclui o autismo grau severo nível 3 (e a microcefalia) só para dependente criança ou adolescente. Estar na lista não garante a aprovação do pedido.
  • Superior Tribunal de Justiça (REsp 686.500/RS): a lista do art. 20 é exemplificativa, e o saque cabe em caso de doença grave do empregado ou de seus familiares.
  • Lei 12.764/2012: a pessoa autista é considerada pessoa com deficiência para todos os efeitos legais.
  • Lei 8.036/1990, art. 20-A, § 2º, II: quem aderiu ao saque-aniversário continua podendo sacar por doença grave.

Nível 3 de criança ou adolescente: o formulário da Caixa

Nesse caso, o médico preenche o formulário da Caixa, o “Relatório Médico de Doenças Graves para Solicitação de Saque do FGTS”. Confira se ele tem:

  1. o diagnóstico de transtorno do espectro autista grau severo nível 3;
  2. assinatura sobre carimbo do médico, ou assinatura digital com certificado ICP-Brasil;
  3. o número do CRM e o estado (UF) do médico;
  4. data de emissão de até 1 ano.

Junte os exames e laudos do diagnóstico. O pedido é feito pelo aplicativo FGTS e passa pela perícia médica federal.

Níveis 1 e 2 e adulto: o laudo para a ação judicial

Na Justiça, o laudo é a peça principal, e um atestado de uma linha quase sempre é insuficiente. Peça ao neuropediatra ou ao psiquiatra um relatório com:

  1. Identificação completa do paciente, data, assinatura, nome do médico e número do CRM.
  2. Diagnóstico com o código da CID (CID-10 F84 ou CID-11 6A02, conforme o médico utilizar).
  3. Nível de suporte e as dificuldades concretas do dia a dia: fala, comunicação, comportamento, sono, alimentação, crises, autonomia.
  4. Terapias indicadas, com a frequência semanal de cada uma (psicologia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, psicopedagogia, fisioterapia), e o método, quando o médico indicar.
  5. Tempo estimado de tratamento (contínuo ou o período previsto).
  6. Urgência: por que o tratamento precisa começar ou continuar agora e quais os prejuízos da interrupção.
  7. Medicamentos em uso, se houver, e o custo mensal estimado.

Os relatórios dos outros profissionais também contam

Os relatórios do psicólogo, do fonoaudiólogo e do terapeuta ocupacional devem trazer as terapias em andamento, a carga horária semanal, a evolução, a recomendação de continuidade e o número do conselho profissional. Um relatório do assistente social ajuda a mostrar o impacto no orçamento da família.

Quando o pedido não passa e onde entra o advogado

A Caixa não aceita os níveis 1 e 2 nem o autista adulto, porque eles não estão na lista dela. E mesmo no nível 3, que está na lista, o pedido pode ou não dar certo. Na nossa experiência, a Caixa tem negado pedidos de quem:

  • é optante do saque-aniversário;
  • fez a antecipação (alienação) do saque-aniversário com um banco;
  • recebeu decisão contrária da perícia médica federal.

Também travam pedidos com:

  • formulário fora do modelo da Caixa, sem carimbo ou sem CRM/UF;
  • formulário emitido há mais de 1 ano;
  • falta de exames e laudos anexos;
  • reprovação na perícia médica federal.

Na Justiça, o problema costuma ser laudo genérico ou falta de prova dos custos. Muitos desses problemas são erros evitáveis. Por isso, vale procurar um advogado especialista antes de pedir o laudo ou o formulário: ele orienta o que precisa constar, acompanha as exigências e deixa o caso documentado para a ação, se ela for necessária. Nos níveis 1 e 2 e no adulto, como a Caixa não aceita o pedido, é possível entrar direto com a ação, sem esperar a negativa, com pedido de liminar quando há urgência.

Quem aderiu ao saque-aniversário também pode pedir. Se houve antecipação, a dívida vence antecipadamente, sem os juros futuros: a Caixa paga o banco com o próprio FGTS e libera o restante. Saiba mais na página do serviço de saque do FGTS para pais de autistas.

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Passo a passo para preparar o laudo e os relatórios

  1. Confira o caminho com um advogado: dependente criança ou adolescente com nível 3 pode pedir na Caixa, mas o pedido pode ou não dar certo (sobretudo com saque-aniversário, antecipação ou perícia contrária); nível 1, nível 2 e adulto, pela Justiça.
  2. Marque consulta com o médico e leve o formulário da Caixa (nível 3) ou a lista deste artigo (demais casos).
  3. Peça os relatórios aos terapeutas e o orçamento das terapias, com o valor por sessão e o total mensal.
  4. Junte os comprovantes de gastos e a negativa ou limitação do plano de saúde, se houver.
  5. Leve tudo para análise de um advogado especialista antes de entrar com o pedido.

Documentos para a análise

  • formulário da Caixa (nível 3) ou laudo médico detalhado e atualizado (níveis 1 e 2 e adulto);
  • exames e laudos que comprovam o diagnóstico;
  • relatórios dos terapeutas, orçamento das terapias, recibos e notas de medicamentos;
  • negativa ou limitação do plano de saúde, ou comprovante de espera no SUS;
  • documento do trabalhador e certidão de nascimento ou documento do dependente;
  • extrato do FGTS e contrato de antecipação do saque-aniversário, se houver;
  • comprovantes de renda e despesas da família.

Exemplo

Um pai com saldo no FGTS tem um filho de 5 anos, autista nível 2, que faz várias terapias por semana. O plano cobre só parte das sessões. O primeiro laudo dizia apenas “TEA, CID F84”. Como o nível 2 não está na lista da Caixa, o pai pede um laudo com o nível de suporte, as terapias, a frequência e a urgência, e junta os relatórios e o orçamento da clínica. Com essa prova, é possível pedir o saque na Justiça, a depender do caso.

Perguntas frequentes

Qual laudo precisa para sacar o FGTS por autismo?

Depende do caso. Para dependente criança ou adolescente com nível 3, o formulário “Relatório Médico de Doenças Graves para Solicitação de Saque do FGTS”, da Caixa, lembrando que o pedido pode ou não ser aprovado. Nos níveis 1 e 2 e no adulto, um laudo detalhado para a ação judicial, com CID, nível de suporte, terapias, frequência, tempo de tratamento e urgência.

O laudo precisa ter o nível de suporte?

Sim. No nível 3, ele abre o pedido na Caixa, que pode ou não ser aprovado; se houver negativa, o mesmo material reforça a ação. Nos níveis 1 e 2, reforça a prova na Justiça.

Autismo nível 1 pode sacar o FGTS?

Pela Caixa, não. Na Justiça, é possível, a depender da prova da necessidade do tratamento.

O laudo tem prazo de validade para o FGTS?

O formulário da Caixa vale por até 1 ano a partir da emissão. Na Justiça, o ideal é um laudo recente, que mostre a situação atual do tratamento.

Preciso de advogado para sacar o FGTS por autismo?

Nos níveis 1 e 2 e no adulto, sim, porque o pedido vai à Justiça. No nível 3, a orientação evita formulário incompleto e problemas na perícia.

Fale com um advogado especialista

Sou advogado especialista em direito dos autistas, e esse é o foco do meu escritório. Atuo em todo o Brasil, com atendimento online, no saque do FGTS para o tratamento de pessoas autistas, na Caixa e na Justiça. Envie pelo WhatsApp o laudo e os relatórios para uma primeira análise. Veja também o guia completo sobre o saque do FGTS para pais de autistas. O escritório é conduzido pelo advogado Johnnys Guimarães.

Fale pelo WhatsApp com um advogado sobre o saque do FGTS por autismo

Leia também

Fontes

  • Lei 8.036/1990 (Lei do FGTS), arts. 20 e 20-A, § 2º, II
  • Caixa Econômica Federal: “Saque do FGTS – Doenças Graves” e formulário “Relatório Médico de Doenças Graves para Solicitação de Saque do FGTS”
  • Superior Tribunal de Justiça, REsp 686.500/RS
  • Resolução do Conselho Curador do FGTS 958/2020, art. 7º
  • Lei 12.764/2012 (Lei Berenice Piana), art. 1º, § 2º
  • Constituição Federal, arts. 196 e 227
  • Classificação Internacional de Doenças (CID-10 e CID-11)

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a análise individual do seu caso por um advogado. Atualizado em 14 de outubro de 2026.

Escrito por Johnnys Guimarães, advogado especialista em Direito dos Autistas, Direito da Saúde e Direito Previdenciário, OAB/PB 20.631.

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