Resposta rápida: sim. O plano de saúde é obrigado a cobrir as terapias indicadas para a pessoa autista, incluindo ABA, fonoaudiologia, terapia ocupacional e psicologia, sem limite de sessões. Desde 2022, as regras da ANS obrigam a cobertura do método ou técnica indicado pelo médico assistente para o autismo (CID F84), e o plano precisa oferecer profissionais habilitados nesse método. Se não houver profissional adequado na rede, a família pode buscar o custeio em clínica particular ou o reembolso. Negativa, limite de sessões ou demora podem ser levados à Justiça, inclusive com pedido de liminar.
Terapias como ABA, fonoaudiologia e terapia ocupacional fazem diferença no desenvolvimento da pessoa autista, mas custam caro e precisam ser contínuas. Por isso, a negativa do plano de saúde, o corte de sessões ou a falta de profissionais preparados pesam muito na rotina da família. Neste guia, explicamos o que o plano é obrigado a cobrir, o que fazer quando ele nega e como garantir o tratamento na Justiça.
O que o plano de saúde é obrigado a cobrir para autistas
A Lei 12.764/2012 (Lei Berenice Piana) reconhece a pessoa com Transtorno do Espectro Autista como pessoa com deficiência e garante o atendimento multiprofissional. Na saúde suplementar, as principais regras são da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS):
- Sessões ilimitadas: desde 2021, a ANS garante número ilimitado de sessões com psicólogo, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional e fisioterapeuta para pessoas com TEA (RN 469/2021). Em 2022, os limites de sessões dessas especialidades foram retirados para todos os beneficiários (RN 541/2022).
- Método indicado pelo médico: desde julho de 2022, o plano deve cobrir qualquer método ou técnica indicado pelo médico assistente para os transtornos globais do desenvolvimento, como o autismo (RN 539/2022). Isso inclui a terapia ABA e outros métodos prescritos.
- Profissionais habilitados: o plano precisa ter na rede profissionais capacitados para aplicar o método prescrito. Não basta oferecer uma sessão genérica de psicologia quando o médico indicou ABA.
Quais terapias o plano deve cobrir
| Terapia | Cobertura |
|---|---|
| Terapia ABA (Análise do Comportamento Aplicada) | Obrigatória quando indicada pelo médico assistente, sem limite de sessões |
| Fonoaudiologia | Obrigatória, sem limite de sessões |
| Terapia ocupacional (inclusive integração sensorial, quando prescrita) | Obrigatória, sem limite de sessões |
| Psicologia / psicoterapia | Obrigatória, sem limite de sessões |
| Fisioterapia | Obrigatória, sem limite de sessões |
| Psicopedagogia, musicoterapia, equoterapia, hidroterapia, acompanhante terapêutico | Frequentemente negadas pelo plano, mas há decisões judiciais garantindo a cobertura quando há indicação médica. Cada caso precisa de análise |
O plano pode limitar o número de sessões?
Não. A limitação de sessões para terapias de pessoas com TEA é contrária às regras da ANS, e o Superior Tribunal de Justiça (STJ) entende que as terapias multidisciplinares prescritas pelo médico devem ser cobertas sem limite de sessões. Quem define a quantidade e a frequência das sessões é o médico assistente, não o plano.
E se não houver profissional ou clínica adequada na rede?
Esse é um dos problemas mais comuns: o plano autoriza a terapia, mas não tem profissional habilitado em ABA, a clínica fica longe ou a fila de espera é longa. Nesses casos:
- o plano deve garantir o atendimento dentro dos prazos máximos definidos pela ANS;
- se não houver prestador adequado na rede, o plano deve garantir o atendimento em outro prestador, inclusive fora da rede, sem custo adicional para a família;
- quando a família precisou pagar a terapia por conta própria por falta de rede adequada, é possível pedir o reembolso dos valores.
Na Justiça, é comum o juiz determinar que o plano custeie o tratamento na clínica particular que já atende a criança, quando a rede credenciada não oferece o método prescrito ou quando a troca de terapeutas prejudicaria o tratamento.
Terapias fora do rol da ANS: o que decidiu o STF
Em setembro de 2025, o Supremo Tribunal Federal (ADI 7265) fixou os critérios para que o plano cubra tratamentos que não estão no rol da ANS. São exigidos, ao mesmo tempo:
- prescrição por médico ou odontólogo assistente;
- inexistência de negativa expressa da ANS ou de análise pendente para incluir o tratamento no rol;
- ausência de alternativa terapêutica adequada no rol;
- comprovação científica de eficácia e segurança;
- registro na Anvisa, quando aplicável.
Para as terapias do autismo, isso é importante principalmente nos tratamentos que não estão expressamente previstos, como algumas terapias complementares. Para ABA, fonoaudiologia, terapia ocupacional e psicologia, a cobertura já decorre das próprias regras da ANS.
O que fazer quando o plano nega a terapia
- Peça a negativa por escrito. O plano é obrigado a informar o motivo da recusa por escrito quando o beneficiário solicitar. Anote também os protocolos de atendimento.
- Reúna o relatório médico. Ele deve trazer o diagnóstico (CID), o método indicado (por exemplo, ABA), a carga horária semanal e a justificativa da urgência e da necessidade.
- Registre reclamação na ANS. A reclamação pode resolver casos simples e fica registrada contra a operadora.
- Procure um advogado. Se o tratamento não pode esperar, é possível entrar com ação e pedir liminar para que o plano custeie as terapias logo no início do processo.
- Guarde os recibos. Se a família pagou as terapias por causa da negativa, os valores podem ser cobrados de volta na ação.
Documentos necessários
- Relatório médico detalhado com diagnóstico de TEA (CID F84), método indicado, número de horas semanais e justificativa.
- Relatórios dos terapeutas, quando houver, mostrando a evolução e a necessidade de continuidade.
- Negativa do plano por escrito, e-mails, mensagens e protocolos.
- Carteirinha e contrato do plano, e comprovantes de pagamento das mensalidades.
- Documentos pessoais do beneficiário e do responsável.
- Recibos e notas fiscais das terapias pagas pela família, se houver.
Perguntas frequentes
Plano de saúde é obrigado a cobrir terapia ABA?
Sim. Desde 2022, a ANS obriga a cobertura de qualquer método ou técnica indicado pelo médico assistente para o autismo, o que inclui a ABA, sem limite de sessões.
O plano pode limitar as sessões de fonoaudiologia ou terapia ocupacional?
Não. As regras da ANS retiraram os limites de sessões dessas especialidades, e o STJ considera abusiva a limitação das terapias prescritas para pessoas com TEA.
O plano pode cortar as terapias do autista?
Não pode cortar ou reduzir sem justificativa médica. A quantidade de sessões é definida pelo médico assistente. Se houver corte, é possível reclamar na ANS e ir à Justiça.
Posso fazer a terapia em clínica particular e pedir reembolso?
Pode, quando o plano não oferece profissional habilitado no método prescrito ou não garante o atendimento nos prazos. Guarde os recibos e a negativa ou a comprovação da falta de rede.
O plano pode alegar carência ou doença preexistente para negar as terapias?
Não. O autismo não é doença: é uma condição do neurodesenvolvimento, reconhecida por lei como deficiência. Por isso, não pode ser tratado como doença preexistente nem justificar carência ou cobertura parcial temporária para as terapias. Se o plano negar com esse argumento, a negativa pode ser contestada na ANS e na Justiça.
Quanto tempo demora uma liminar?
Em geral, o juiz analisa o pedido de liminar em poucos dias quando há urgência comprovada pelo relatório médico.
Advogado especialista em plano de saúde para autistas
O escritório Johnnys Guimarães Advogados é especialista em direito dos autistas e direito da saúde e atende famílias de todo o Brasil. Analisamos o relatório médico e a negativa do plano, orientamos a reclamação e, quando necessário, entramos com a ação e o pedido de liminar para garantir as terapias e o reembolso do que a família já pagou. Conheça também a nossa página de ação contra planos de saúde para autistas.
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Fontes
- Lei 12.764/2012 (Lei Berenice Piana)
- Lei 9.656/1998 (planos de saúde)
- ANS: regras de cobertura para transtornos globais do desenvolvimento
- STF: critérios para cobertura fora do rol da ANS (ADI 7265)
Escrito por Johnnys Guimarães, advogado especialista em Direito Previdenciário e Direito dos Autistas, OAB/PB 20.631. Revisado em setembro de 2026.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a análise individual do seu caso por um advogado.





